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Entrei na sessão de cinema com o filme em andamento. Era estreia de comédia americana. A sala estava abarrotada.

Mal sentei e ouvi um barulho esquisito. Um “ploc” bem alto, vindo de alguma poltrona bastante acima da minha. Segundos depois, outro “ploc”. Perguntei a minha amiga holandesa o que era aquele ruído.

– They are open beers – dissa ela, cochichando.

“Eles estão abrindo cervejas?”, perguntei a mim mesmo, incrédulo.

Durante a sessão, ouvi uns 100 “plocs”. (Confira no final do post a foto da cerveja que faz “ploc”)

Não me lembro de nenhuma mostra de cinema na qual toda plateia estava bebendo cerveja.

No fim do filme, fui um dos primeiros a sair da sala e fiz questão de ficar na porta para ver o público indo embora. Não havia ninguém que aparentava ter mais de 30 anos.

Groningen, no norte da Holanda, a 180 quilômetros de Amsterdã, é a cidade com a população mais jovem de todo o país. Dos 190 mil habitantes, cerca de 70 mil são estudantes universitários. A consequência desta proporção é óbvia: a vida noturna da cidade é agitada de segunda a segunda, faça sol, frio, chuva ou neve.

E a melhor parte da história é que os preços da cidade são preços para estudantes, muito inferiores daqueles praticados na super turística Amsterdã. Nos bares e clubs, raramente paga-se para entrar. A dica é ficar perambulando de um lugar para outro. Um pouco de música eletrônica aqui, marroquina ali, africana acolá. Na praça central da cidade, quase sempre, acontecem festivais de música gratuitos, como este que você pode conferir no vídeo abaixo.

Mas Groningen não é para ser curtida somente à noite. De dia, ela oferece a tranquilidade de uma cidade pequena do interior. As belas ruas e casas são cortadas por lindos parques e lagos que, durante o verão europeu, são prato cheio para um banho de sol ou até mesmo um piquenique.

Lago em conjunto residencial da cidade de Groningen

A oferta cultural é muito expressiva. Festivais de arte, música, dança e cinema compõem a agenda de Groningen. Nas calçadas, os jovens costumam escrever com giz poesias em diversas línguas. Existem muitos estrangeiros estudando na Universidade de Groningen, que é a segunda mais antiga da Holanda. Exatamente por isso, os cursos da faculdade (exceto medicina) são lecionados na língua inglesa, inclusive para os holandeses.

Cerca de 300 esculturas estão espalhadas pelas ruas de Groningen, o que torna as caminhadas uma ida a um museu de arte contemporânea. O Museu Groninger, que traz exposições do mundo todo, e o Museu da Navegação do Norte, que mostra embarcações e a história náutica no país, são outras atrações. Na praça central, chamada de Grote Markt, a torre Martini pode ser subida por quatro euros e oferece uma bonita visão aérea da região.

Antigo hospício, convertido em casas residenciais

Visitar Groningen pode ser uma ótima opção para quem está realmente a fim de entrar em contato com a cultura holandesa. Amsterdã, apesar de todas as qualidades, tem muitos turistas, o que dificulta o contato com o nativo. Em Groningen, após cinco minutos de bicicleta é possível visitar fazendas e vilarejos próximos, onde a cultura é mais preservada e acessível.

Como chegar

De carro, a viagem dura 2,5 horas pela estrada A7, que tem paisagens muito bonitas, compostas por dezenas de campos de cultivo, pastoreio, moinhos e usinas eólicas.

De trem, a viagem também dura 2,5 horas. O preço do bilhete, a partir de Amsterdã, é de 25 euros (somente ida).

De carona, é bastante fácil chegar a Groningen, segundo relatos que ouvi. Você pode vir tanto pela Alemanha, como subir de Amsterdã.

Onde ficar

O Bud Gett Hostel oferece camas em quartos compartilhados por 25 euros cada noite. (É um pouco caro, mas a cidade compensa com o seu custo de vida relativamente mais baixo que nos grandes centros)

PS: abaixo, foto da cerveja que faz “ploc”. É um sistema holandês de abrir cervejas que faz este barulho esquisito.

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