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Lembro-me muito bem quando meu professor de literatura do colegial nos ofereceu como opção de leitura para as férias o ardiloso “Fausto”, do alemão Goethe.

– Gostaria que lessem, porque é um dos livros mais difíceis que terão pela frente em sua vida. E para entender obras densas, precisamos relê-las muitas vezes. Então, comecem agora que são jovens – disse ele mais ou menos assim, com seu bigode preto penteado e seu jeito intelectual.

Voltar a Madri, depois de quatro anos, me deu a sensação de reler um clássico. Eu era muito mais jovem do que sou quando olhei para suas avenidas, praças, fontes e descrevi a capital espanhola como uma cidade geométrica, sem curvas, sem nuances, sem pulso.  Que injustiça!

Desculpe-me Madri. Eu estava errado. Você tem um charme de mulher sedutora, daquelas que quando cruzam as pernas nos arrancam estalos dos ossos do coração. Você fica tão bem morena com todo esse Sol. Teu Parque do Buen Retiro tem uma pele macia, onde eu gosto de deitar, fechar os olhos e ouvir a música dos seus admiradores. Estou apaixonado por você.

Você é tão misteriosa. Por isso demorei a lhe entender. Tive que sentir novamente teu cheiro verde e inebriante. Não sabia que poderia me dar tanta arte e sabor. Desculpe, meu bem. Estou contigo, agora.

Fiz o que meu professor pediu: li “Fausto” aos 15 anos. Não entendi praticamente nada e não gostei. Talvez eu deva tentar novamente. Leva tempo para entendermos os grandes livros.

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