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Abri o computador na rodoviária de Wroclaw e fiquei um longo tempo olhando para o arquivo em branco, tentando tirar alguma coisa de dentro de mim. Três incansáveis moscas me rodearam, por algum motivo, durante boa parte das 8 horas que tive que esperar para tomar o ônibus para Cracóvia. Eu tinha tempo suficiente para escrever, mas nada me vinha à cabeça. Pensei que talvez fosse um bloqueio criativo que poderia ser vencido com um copo de café, mas depois de três deles nada aconteceu e eu fiquei mais agitado que de costume.

Passei quatro dias em Praga e não consegui escrever. Mais quatro dias em Wroclaw e também nada. Na verdade, escrevi um conto que não pode ser publicado aqui por razões pessoais, mas foi só isso. Comecei a me perguntar o que estava acontecendo. No jornalismo, quando estamos com alguma dificuldade para começar uma matéria, nos perguntamos qual o lide em questão. Fiz este exercício e a resposta que obtive de mim mesmo foi um silêncio.

Eu gostei muito de rever a belíssima capital da República Tcheca. Tive excelentes momentos lá. Na Polônia, minha estada também tem sido deliciosa, superando todas as minhas expectativas. Mas por que raios eu não estou conseguindo escrever sobre esses lugares e pessoas?

Não tenho certeza da resposta, mas acho que é porque tudo está começando a ficar muito parecido. Já escrevi isso aqui: a Europa é muito parecida. A civilização ocidental é muito parecida.

Eu poderia escrever sobre a dificuldade dos jovens poloneses em encontrar a primeira oportunidade de trabalho, mas isso também é tão parecido com o que passamos no Brasil. Eu poderia falar sobre as cervejas tchecas, mas acho pouco original. Então, o melhor é esperar pelo diferente.

Antes de começar a viagem, uma experiente mochileira aconselhou-me a passar menos tempo na Europa e mais na Ásia.  Não dei muito ouvidos à época. Já são quase 70 dias aqui no velho continente e a sensação que tenho é que preciso de novos ares, novas culturas. E eu seria um homem muito feliz se, antes de ir para o Oriente Médio, eu pudesse passar uma tarde de sol na rua Augusta, tomando Serra Malte e depois ir ouvir o samba do Pau Brasil, na Vila Madalena.

Um dia de Sol, em Wroclaw, na Polônia

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