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Devaneios de uma viagem de ônibus entre Rio Branco (AC) e São Paulo.

Bem-aventurados os que se embevecem com o lento e trepidante passar de paisagens.

Ó recompensas dos que viajam por dias e noites:

O irromper e o descenso solar com suas diferentes tonalidades no rebaixar da latitude.

A lúgubre noite sem nuvens, pintada por esmaecidas e incontáveis estrelas. Sigo a Oeste, depois a Sul, do velho Cruzeiro.

A Amazônia dura dois dias aqui nesta janela. Vai perdendo força até ser substituída pela BOImazônia.

O trio de araras-azuis rasgando o vento seco do cerrado. Fazem a curva ligeiras, desfilando suas amareladas penas escapulares.

O vasto e horizontal milharal, seguido pelo bicolor algodoal. Que segue por milhas e milhas até encontrar o canavial.

Quão magnânimo és tu, ó Sol, com seu vermelho-alaranjado-amarelado-róseo nascer e poer. Paralisa minha respiração como se fosse uma morocha esbelta a caminhar pelo calçadão da minha segunda cidade favorita.

À Serra da Petrovina que precede o Araguaia, um viva!

Tomo um café em todas as cidades que paramos para deixar e receber viajantes. Bem-vindos! Até logo!

Não quero dormir. O céu é demasiado lindo para não ser observado. O dia é demasiado vivo para não ser contemplado.

Me perguntam de onde venho e para onde vou. A resposta é simplória: de lá para cá ou de cá para lá.

Me perguntam por que não o avião? Porque voar não é viVER.

Por fim: abençoa-me água torrencial paulista que descende da massa cinzenta.

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